
Há exatas três décadas, no dia 17 de julho de 1994, Brasil e Itália se enfrentavam no Rose Bowl, em Pasadena (EUA), na decisão da Copa do Mundo de 1994. E após um tenso empate por 0 a 0 que persistiu no tempo normal e na prorrogação, a Seleção Brasileira venceu nos pênaltis por 3 a 2. Sob um sol escaldante, a explosão de alegria dos jogadores e comissão técnica. E também do povo brasileiro, que voltava a soltar o grito de campeão após 24 anos.
Presente em toda a caminhada do tetra, o pernambucano Ricardo Rocha contou em seu canal no YouTube detalhes e bastidores daquele período, daquela conquista inesquecível. O xerife, inclusive, foi o primeiro a descer com a taça na volta ao Brasil, quando todos os protocolos foram quebrados e a Seleção veio para o Recife em vez da Capital Federal, São Paulo ou Rio de Janeiro. Isso por causa do apoio dado pelos pernambucanos ainda na campanha das Eliminatórias, na goleda por 6 a 0 sobre a Bolívia, no estádio do Arruda. Os programas tiveram a participação do filho do xerife, o comentarista esportivo Ricardo Rocha Filho e do jornalista Marcos Leandro, do DP Esportes.
PRESSÃO
"O Brasil nunca tinha perdido uma partida um jogo de Eliminatórias. E quando acontece a derrota contra a Bolívia (2 a 0, em La paz), foi muita porrada na gente. Ninguém queria saber de altitude e que era a melhor seleção da história da Bolívia. Queriam massacrar a gente. Era um grupo que ainda era marcado pela Copa de 1990 (eliminação para a Argentina nas oitavas). E aquela seleção foi criada na porrada. Tudo era motivo de chacota. E o grupo foi se fortalecendo ao longo da competição. Seguramos muita coisa.
A SEMENTE DO TETRA
"A semente do tetra foi no Recife. Tudo aconteceu ali. A gente perdeu para a Bolívia, fomos vaiados em São Paulo e a roleta muda em Recife, quando levamos o jogo da volta contra a Bolívia para o Arruda. O povo apoiou desde a chegada no aeroporto até os treinos. E no vestiário, lembrei do que tinha acontecido na final do Campeonato Pernambucano de 1983, quando estava no Santa Cruz e entramos em campo de mãos dadas contra o Náutico. E dez anos depois, com todos os problemas que a gente tinha, repetimos naquele jogo contra a Bolívia. Ninguém esperava. Tive a ideia antes do aquecimento, no dia do jogo, no vestiário do Arruda. Falei com Parreira (Carlos Alberto), o capitão Ricardo Gomes e Branco. Aquilo fechou, deu ainda mais união aquele grupo. Foi sensacional e emocionante. A gente estava engasgado com a Bolívia. A gente perdeu, Zetti foi acusado de doping (caso do chá de coca) e ficamos espantados com o que aconteceu depois. Cercaram nosso ônibus, não deixaram a gente entrar no hotel. Criaram uma raiva da gente, não sei porque"