
A dançarina Carla Perez se pronunciou nas redes sociais após a repercussão de uma cena registrada neste domingo (15) em Salvador, durante o Carnaval . Na ocasião, a artista subiu nos ombros de um segurança negro ao deixar o trio elétrico para se aproximar do público. Em comunicado, ela reconheceu o erro e afirmou ter consciência da responsabilidade histórica envolvida na situação.
A ex-dançarina se apresentava na despedida do tradicional bloco infantil Pipoca/Algodão Doce. Após o desfile, desceu do trio e foi erguida por um segurança, que a carregou. Segundo Carla, a intenção era tornar o momento de despedida ainda mais especial e trazer proximidade.
Uma das manifestações críticas veio da influenciadora e acadêmica Carla Akotirene, que afirmou ter optado por não comemorar o Carnaval neste ano por não se sentir “à vontade de lidar com pretos nesta situação”.
“Acríticos dirão que o trabalhador não está sendo forçado a carregar a loira; outros dirão que ela é parda, como se o colorismo fosse irrelevante nas dinâmicas raciais. Minha xará, Carla, ganhou muito dinheiro dançando axé e sabe que, neste caso, ela ‘nasceu pra ser cabeça e o pobre preto calda’”, escreveu Akotirene.
A professora e escritora Bárbara Carine também se pronunciou sobre o vídeo, dizendo que as cenas provocam incômodo em pessoas negras. “Eu vou nomear esse desconforto: ele é proveniente de uma imagem de subalternidade que foi historicamente construída para pessoas negras a partir da lógica escravocrata”, explicou.
A dançarina Carla Perez voltou a pedir desculpas e disse reconhecer o equívoco. “Errei. Reconheço. E, mais uma vez, peço desculpas. Reafirmo meu compromisso inegociável de combater qualquer prática ou simbologia que reforce o racismo estrutural”, declarou.
Nota de esclarecimento
O meu objetivo sempre foi fazer uma despedida inesquecível, à altura do que o Pipoca/Algodão Doce representou para o Carnaval de Salvador, um bloco pioneiro do pensar na folia para as crianças, abrindo caminhos e criando memórias afetivas para gerações.
Eu subi nos ombros do segurança para conseguir ter o contato físico e, portanto, estar mais próxima das minhas crianças, em momentos pontuais do percurso, devido a minha estatura.
A imagem que ficou é dura, e eu reconheço isso. Ainda que a intenção tenha sido boa, a cena reproduz simbologias que nos atravessam enquanto sociedade. Remete a desigualdades históricas que estruturam o nosso país e que jamais podem ser naturalizadas. Nada justifica.
Absolutamente nada. Peço desculpas, de forma direta e sincera.