
Entre 31 de março e 4 de abril de 1964, o Brasil viveu dias que mudaram completamente sua história e tudo aconteceu muito rápido.
No dia 31, o general Olympio Mourão Filho sai de Minas Gerais com tropas em direção ao Rio de Janeiro, antecipando um movimento que ainda estava em articulação. Era o início do fim do governo de João Goulart.
Nos dias seguintes, o cenário vira uma disputa de lealdades. Um dos momentos mais decisivos foi a ruptura do general Amaury Kruel, comandante do II Exército. Essa decisão praticamente selou o isolamento do presidente.
Enquanto isso, no Congresso, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declara vaga a presidência da República na madrugada de 2 de abril, mesmo com Jango ainda em território brasileiro. Foi o aval político que faltava para consolidar o golpe.
Com isso, Ranieri Mazzilli, então presidente da Câmara, assume formalmente a presidência de forma interina, dando uma aparência de legalidade ao processo.
Sem apoio militar suficiente e diante do avanço das tropas, João Goulart decide não resistir. Vai para o Rio Grande do Sul e, poucos dias depois, segue para o exílio.
Entre tanques nas ruas, articulações políticas e decisões estratégicas, o golpe se concretiza sem uma guerra aberta, mas com consequências profundas e duradouras.
Em apenas quatro dias, o Brasil saiu de um governo constitucional para o início de uma ditadura que duraria 21 anos.