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Por que a Via Dutra tem esse nome?

A BR=116 é chamada de Via Dutra

Por: Profº Nicanor Fonte: ultimosegundo.ig
16/04/2026 às 21h35 Atualizada em 21/04/2026 às 13h13
Por que a Via Dutra tem esse nome?
reprodução

BR-116, chamada de Rodovia Presidente Dutra, é uma das mais importantes do Brasil por ligar as duas maiores regiões metropolitanas do país: Rio de Janeiro e São Paulo. De acordo com o Ministério dos Transportes, desde a sua inauguração, a rodovia possui um papel estratégico na economia, sendo responsável pelo escoamento de cerca de metade do Produto Interno Bruto ( PIB) nacional.

A Rodovia Presidente Dutra é um eixo logístico estratégico e possui 402 quilômetros. O trecho paulista vai do km 231 (Marginal Tietê) ao km 0, na divisa com o Rio. No Rio, a rodovia começa no km 339,60 e segue até o km 214,70, sob gestão da Motiva. O trecho restante, entre os km 214,70 e 168,10, é administrado pela Ecovias Rio Minas.

                                      Por que a Dutra tem esse nome?

A rodovia recebeu esse nome em homenagem ao então presidente Eurico Gaspar Dutra, que participou da cerimônia de inauguração em 19 de janeiro de 1951. O evento aconteceu na cidade de Lavrinhas, no interior de São Paulo.

                          Conheça a história de Eurico Gaspar Dutra

 

Eurico Gaspar Dutra governou o Brasil de 1946 a 1951, período marcado pela redemocratização após o fim do Estado Novo de Getúlio Vargas. Seu governo teve como características principais o alinhamento com os Estados Unidos, a repressão a movimentos comunistas e medidas de controle social, como a proibição dos jogos de azar.

Nascido em Cuiabá (MT), em 18 de maio de 1883, Dutra seguiu carreira militar desde jovem. Estudou em escolas militares no Rio de Janeiro e em outras regiões do país, participando de movimentos como o levante da Praia Vermelha, em 1904.

Ao longo dos anos, construiu uma trajetória sólida no Exército, passando por diversas funções e atuando em conflitos internos, como a repressão à Revolução de 1924 e à Revolução Constitucionalista de 1932.

Durante o governo Vargas, ganhou destaque ao se tornar ministro da Guerra, cargo que ocupou de 1936 a 1945. Nesse período, trabalhou na modernização das Forças Armadas e teve papel importante na condução do Brasil durante a Segunda Guerra Mundial.

Após o fim da guerra, Dutra passou a defender a redemocratização do país. E mesmo sendo um dos principais aliados de Vargas, apoiou os militares que retiraram o presidente do poder em outubro de 1945.

No mesmo ano, ele se candidatou à presidência pelo Partido Social Democrático (PSD) e venceu as eleições com apoio de Vargas.

Em 1946, foi promulgada uma nova Constituição, marcando o retorno do país ao regime democrático. Seu governo também criou instituições importantes, como o Serviço Social da Indústria ( SESI) e o Serviço Social do Comércio ( SESC), voltadas ao bem-estar social de trabalhadores da indústria e do comércio.

Na política interna, Dutra adotou uma postura conservadora. Em 1947, determinou a cassação do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e rompeu relações diplomáticas com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), refletindo o contexto da Guerra Fria. Também houve intervenção em diversos sindicatos e restrições ao direito de greve.

Na economia, o governo começou com uma política mais liberal, incentivando importações. No entanto, o aumento dessas compras externas levou à redução das reservas do país, o que exigiu mudanças.

A partir de 1947, foram adotadas medidas de controle cambial, que ajudaram a estimular a indústria nacional, especialmente com a importação de máquinas e equipamentos.

O período também foi marcado por investimentos em infraestrutura, como o início da construção da usina hidrelétrica de Paulo Afonso, na Bahia, e da rodovia Presidente Dutra, ligando o Rio de Janeiro a São Paulo. Além disso, foi criada a Escola Superior de Guerra ( ESG), com o apoio norte-americano.

Após deixar a presidência, Dutra continuou atuando na política, mas desistiu de disputar novamente o cargo em 1965 diante da falta de apoio dentro das Forças Armadas. Ele morreu em 11 de junho de 1974, no Rio de Janeiro.

 

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