
Dia 6 de agosto de 1945, 8h15. O B-29 Enola Gay lançou Little Boy sobre Hiroshima. Quarenta e três segundos depois, a bomba explodiu a cerca de 600 metros do solo — e começou uma nova era nuclear.
Criada pelo Projeto Manhattan, Little Boy era uma bomba de urânio-235 de 4,4 toneladas e cerca de 15 quilotons — 15 mil toneladas de TNT. A explosão aérea foi planejada para ampliar a onda de choque. Perto do hipocentro, superfícies atingiram aproximadamente 3.000–4.000 °C.
Hiroshima foi escolhida por sua importância militar, logística e industrial. Abrigava comandos do Exército japonês e havia sido relativamente poupada dos ataques anteriores, permitindo avaliar melhor os efeitos da nova arma.
As famosas “sombras” não eram restos de pessoas vaporizadas. A radiação térmica clareou e alterou superfícies expostas; corpos e objetos bloquearam parte dessa energia, deixando áreas mais escuras.
Cerca de 90% das estruturas sofreram danos devastadores. A Prefeitura de Hiroshima estima que aproximadamente 140 mil pessoas morreram até o fim de 1945, pela explosão, incêndios, ferimentos e radiação.
Mas o ataque era realmente necessário?
Defensores da decisão afirmam que ele evitou a Operação Downfall, a invasão do Japão. As previsões variavam muito: números citados no debate chegaram a centenas de milhares ou até cerca de um milhão de baixas americanas, além de perdas japonesas ainda maiores.
Críticos sustentam que o Japão já estava bloqueado e enfraquecido e que a entrada da União Soviética na guerra, com a invasão da Manchúria em 9 de agosto, poderia acelerar a rendição sem as bombas. Naquele dia, Nagasaki também foi atingida. O Japão aceitou a Declaração de Potsdam em 14 de agosto; Hirohito anunciou a rendição no dia 15.
Não há consenso simples: bombas atômicas, avanço soviético, bloqueio, destruição econômica e intervenção do imperador fizeram parte do desfecho.