
Vindo da Bahia, andando com fé e virando o mundo com som e poesia, Gilberto Gil chega aos 80 anos hoje, atravessando as almas dos milhões que se encantam por sua obra. Reconhecido por toda sua dimensão artística e de engajamento político, racial e ambiental, Gil já esteve nos palcos da ONU (Organização das Nações Unidas), tem o rosto estampado em um mural da Cinelândia, no Rio, não perde o Carnaval de Salvador, sua cidade natal, e já foi ministro da Cultura (2003 – 2008.
"Acompanhando os passos de Gilberto Gil, este continente todo estará acompanhando os passos de um homem que adquiriu a sua integridade através das diversas experiências que viveu e assimilou pela vida", disse o ator Grande Otelo no documentário "Éclats Noirs du Samba" (Estilhaços Negros do Samba, em tradução livre do francês), disponível no YouTube.
Esse é um pensamento compartilhado por dezenas de artistas que reverenciam tudo o que Gil representa. Suas letras e melodias são preenchidas de alegria, crítica e consciência, adicionando à MPB (Música Popular Brasileira) temperos do reggae, rock, samba, baião e muitos outros gêneros musicais.
Influências rurais, exílio e uma lista de hits Gil passou seus primeiros dez anos de vida em Ituaçu, no sertão baiano, onde aprendeu a tocar acordeão, sua porta de entrada na música. "Ituaçu é a base de toda essa permanência da imagem do mundo rural dentro de mim. Todos os outros lugares do interior que eu vi na Europa, Estados Unidos, Japão me remetiam para cá. Toda pequena margem de rio, montanha. Esse lugar ocupa uma função mítica em minha vida", ele diz no documentário "Tempo Rei".
O início da carreira também passa pelos festivais nacionais nos quais se apresentou e, em seguida, por períodos mais duros, como o exílio em Londres, motivado por sua oposição à ditadura e aos desmandos do regime militar que marcavam aquele momento no Brasil. Foi nesse período que ele realizou o álbum "Abril de 1971", com a emblemática versão de "Não consigo encontrar meu caminho para casa".
A década de 1970 configura seu retorno ao país e a gravação de obras-primas, como "Expresso 2222" (mesmo nome de seu trio elétrico) e "Refavela", álbum inspirado nas raízes e realidades africanas, Daí por diante, o repertório de suas criações é variado ao ponto de mesclar Bob Marley, Stevie Wonder, Caetano Veloso — um de seus maiores parceiros — e Ivete Sangalo, Jimi Hendrix, Milton Nascimento e Jorge Ben. Alguns de seus hits mais aclamados estão eternizados em "Acústico MTV", de 1994....
Gil já foi vencedor de cinco prêmios Grammy na categoria Melhor Disco de Música Contemporânea: 1999, 2006, 2009, 2016 e 2017.