
"É difícil falar sobre hipóteses na minha posição. Acho que meu contrato (com a equipe do Flamengo) vai até o fim do ano, e talvez o maior prêmio para mim seria permanecer à frente dessa equipe e dar sequência ao nosso trabalho."
"Caso venha a acontecer uma possibilidade, tudo isso daí após a Copa do Mundo. Temos que ter muita calma, muita paciência. Você postula uma condição como essa, você imagina uma possibilidade como essa, mas tudo ainda muito distante, muito vago."
"Temos grandes profissionais no país, muito respeitados, que também têm o merecimento de uma oportunidade à frente da seleção."
(Dorival Júnior, 31 de outubro de 2022)
O presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, sabe que não tem outra possibilidade racional.
Assim como seus companheiros mais próximos, muitos ainda ligados aos ex-presidentes Ricardo Teixeira e Marco Polo del Nero.
No horizonte brasileiro só há Abel Ferreira e Dorival Júnior para substituir Tite, que vai abandonar o cargo de treinador da seleção após a Copa do Mundo.
Os dois comandam os clubes mais vencedores do futebol do país. Em 2022, dividiram os dois títulos nacionais mais importantes. O flamenguista ficou com a Copa do Brasil. E o palmeirense, com o Brasileiro.
Dorival Júnior conquistou também a Libertadores; Abel Ferreira, que era o bicampeão, foi o terceiro colocado.
Em compensação, vem de uma sequência fabulosa. Nos dois anos em que trabalha no país, conquistou seis títulos.
Contra Abel Ferreira há a sua enorme lista de reclamações contra o calendário da CBF. Critícas duras, diretas ao comando da arbitragem brasileira, com a eliminação do Palmeiras da Copa do Brasil deste ano, com atitudes absurdas do VAR, contra o São Paulo, nas oitavas de final.
Dorival Júnior é muito mais comedido nas queixas. Não se expõe como o português, treinador mais indisciplinado do Brasil, desde que chegou.
A metodologia de Abel Ferreira é muito mais moderna, os treinamentos seguem o que aprendeu na Europa. A obrigação de seus jogadores aprenderem a executar duas ou até três funções táticas em uma mesma partida é muito eficiente.
Dorival Júnior se assume como mais simples taticamente. Ele respeita mais a acomodação natural dos jogadores à função que mais rendem. Os atletas se sentem à vontade, até para questioná-lo, sugerir outra movimentação. O paulista se mostra aberto ao diálogo tático, o que não ocorre com o europeu.
Abel Ferreira não aceita privilégios para os jogadores mais badalados. Dudu é um exemplo. Maior salário do Palmeiras, ao voltar do Catar, ele teve de se adaptar, entender a maneira como o português montou o time. Enquanto não entrou no melhor de sua forma física, não jogou. E, além disso, é várias vezes substituído, situação que detesta, mas não reclama.
Dorival Júnior é mais compreensivo com os descontroles emocionais dos seus jogadores. Como os chiliques de Gabigol ao ser substituído. Quando Filipe Luís, mesmo cansado, pede para seguir em campo.
Abel tem o controle absoluto da programação do Palmeiras. E não disfarça sua insatisfação quando o clube precisa se dobrar à WTorre e jogar em outro estádio, para que aconteçam shows.