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José do Patrocínio proclamou a República antes de Marechal Deodoro.

Antes de Deodoro José do Patrocínio proclamou a República.

Por: Profº Nicanor Fonte: uol
15/11/2022 às 14h01
José do Patrocínio proclamou a República antes de Marechal Deodoro.
reprodução

Muitas histórias são contadas sobre a proclamação da República do Brasil, que se deu a 15 de novembro de 1889 e foi atribuída ao Marechal Deodoro da Fonseca, e todas elas têm sempre personagens brancos ilustres. Mas a maioria dos livros omite a participação igualmente protagonista que diversos negros tiveram em momentos importantes de nossa história. Neste 15 de novembro, Ecoa lembra um desses personagens que, segundo relatos de alguns historiadores, foi quem tomou a iniciativa, antes do Marechal Deodoro, de proclamar a República. Ele era um jornalista negro e se chamava José do Patrocínio.

Além de jornalista, Patrocínio era escritor e farmacêutico. Na época da proclamação também era vereador. De acordo com o livro 1889, do jornalista Laurentino Gomes, foi ele quem tomou a iniciativa de proclamar a República, por volta das 18h, perante um grupo reunido na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, enquanto Marechal Deodoro da Fonseca ainda elaborava a mudança de regime.

O livro conta que Deodoro estava doente, destituiu o ministério e promoveu um desfile de tropas pela capital demonstrando um levante militar. No entanto não proclamou o novo regime. Ainda segundo a publicação, no calor do momento da revolta, o escritor e político Aníbal Falcão foi até o jornal de Patrocínio para que fosse escrita uma moção pública abolindo a monarquia. Foi esse documento que ele leu no plenário da Câmara e que colocou fim à monarquia.

 A história contada é quase sempre branca, restringindo a população preta aos papéis de escravizados ou a personagens em lutas pontuais, como Zumbi dos Palmares. José do Patrocínio é uma das figuras mais emblemáticas na luta abolicionista brasileira Henry Guimarães, historiador Mas a importância deste homem para o Brasil é ainda maior do que essa participação e mudaria o curso de nossa história. Saiba um pouco mais sobre ele.

 Meio livre, meio escravizado José do Patrocínio com outros integrantes da Confederação Abolicionista Imagem: Reprodução José do Patrocínio nasceu em 1853 na cidade de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, do ato violento de um padre branco contra uma mulher escravizada de 15 anos de idade. Como era comum acontecer, não foi assumido pelo pai, que o enviou para crescer como homem livre e uma de suas fazendas.

Teve acesso a boas escolas públicas e começou a dar aulas particulares na idade adulta para conseguir sobreviver. Foi em uma dessas aulas que conheceu sua futura esposa, Maria Henriqueta, filha de um militar que frequentava o Clube Republicano, entidade que apoiava a adoção de uma República em lugar ao regime monárquico. Eles se casaram e tiveram filhos, mas sua vida privada não é muito conhecida. Sabe-se apenas que um de seus filhos também se tornou jornalista e que o casal, durante toda a sua vida, recebeu ataques públicos racistas pela cor da pele de Patrocínio. Para o historiador, que é professor da Universidade Federal da Grande Dourados, ele representa a contradição da sociedade.

 

Ao contrário, ele se reuniu com importantes figuras negras da época e, juntos, criaram uma das maiores campanhas para a libertação dos escravizados, a Confederação Abolicionista, resultando na assinatura da Lei Áurea, em 1888. Henry Guimarães, historiador 'Tigre da abolição' Dono de uma retórica cativante, Patrocínio conseguia prender a atenção de grandes multidões quando falava e, como já escrevia para o jornal Gazeta de Notícias, um dos maiores da época, pediu um empréstimo ao pai de sua esposa, o militar Emiliano Rosa de Sena, e comprou o jornal para si, assumindo uma luta pública contra a escravidão.

 

De acordo com a Enciclopédia Negra, publicação com biografias afro-brasileiras (Companhia das Letras), Patrocínio reuniu ao seu redor um grupo de jornalistas e oradores que, ao lado de André Rebouças, deu origem à Confederação Abolicionista, em 1880. Esta agremiação ajudou a manter vivo o quilombo do Leblon e, por meio de comícios em teatros e manifestações em praça pública, financiou e acolheu escravizados fugitivos. Logo, a redação do jornal servia como sede da Confederação e coordenou as ações da luta abolicionista que se espalhava no território nacional. Por toda a sua atuação nessa luta, ficou conhecido como o Tigre da Abolição

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