
"Estudantes, professores e alguns especialistas cobram governo Lula para que modelo seja revogado. Portaria com a suspensão do calendário terá validade de 60 dias, enquanto debates sobre o tema são aprofundados. O governo federal oficializou nesta terça-feira (04/04) a suspensão do cronograma de implementação do novo ensino médio. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, após ter sido adiantado pela imprensa brasileira. A decisão será publicada em portaria do Ministério da Educação (MEC) no Diário Oficial da União (DOU).
A revogação do novo ensino médio tem sido uma reivindicação de entidades estudantis e de muitos especialistas. Desde o início do ano, estudantes, professores e alguns especialistas cobram o governo Lula para que o modelo seja revogado, inclusive com a realização de protestos.
Santana deixou claro, porém, que não se trata de uma revogação, mas de uma suspensão do cronograma enquanto o tema é debatido.
"Nós reconhecemos que não houve um diálogo mais aprofundado da sua implementação, não houve uma coordenação por parte do Ministério da Educação. O ministério foi omisso, principalmente no período difícil que foi a pandemia nesse país, e há a necessidade de a gente poder rever toda essa discussão", afirmou Santana, que mais cedo havia se reunido com o presidente Lula para discutir o assunto.
A nova portaria suspenderá por 60 dias todos os prazos de uma outra portaria editada pelo MEC em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro – incluindo uma data limite para que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) atualizasse as mudanças na forma de avaliação, com base no novo ensino médio.
Sobre o Enem, Santana explicou que nenhuma alteração na prova ocorrerá este ano e que eventuais mudanças na prova para 2024, quando os três anos do novo ensino médio estiverem implantados nas redes de ensino, serão definidas após a discussão de uma comissão criada pelo MEC.