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Brasil e China fazem acordo para produção de vacinas

Atacada por Bolsonaro, China cria com Lula centro para desenvolver vacinas.

Por: Profº Nicanor Fonte: uol
12/04/2023 às 22h02 Atualizada em 12/04/2023 às 22h04
Brasil e China fazem acordo para produção de vacinas
reprodução

Numa reviravolta completa da relação do Brasil com a China, os dois países assinam um acordo que cria o Centro Sino-Brasileiro de Pesquisa e Prevenção de Doenças Infecciosas. O anúncio acordo inédito está previsto para esta quinta-feira, em Pequim, e representa uma ruptura importante em relação ao posicionamento do Brasil sob o governo de Jair Bolsonaro. Trata-se de uma iniciativa da Fiocruz e do Centro de Excelência CAS-TWAS para Doenças Infecciosas Emergentes (CEEID, na sigla em inglês), por meio do Instituto de Microbiologia da Academia Chinesa de Ciências.

O centro, que terá uma sede em Pequim e outra no Campus Manguinhos da Fiocruz, no Rio de Janeiro, atuará para fortalecer a cooperação na área de ciência e tecnologia relacionada à saúde, com foco na prevenção e controle de pandemias e epidemias, tais como, Covid-19, influenza, chikungunya, zika, dengue, febre amarela, oropouche e outras doenças infecciosas, como tuberculose", diz a Fiocruz, em um comunicado.

O centro ainda desenvolverá testes de diagnósticos rápidos, terapias, vacinas e fármacos. Aliados do bolsonarismo chegaram a difundir a narrativa de Donald Trump sobre uma suposta ação deliberada da China pela difusão da covid-19, enquanto o ex-presidente zombava da eficiência da vacina do país asiático. O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, chegou a acusar Ernesto Araújo, ex-chanceler, de impedir uma aproximação de sua pasta aos chineses, enquanto a crise entre os dois países ameaçou paralisar a entrega de produtos fundamentais para o combate à pandemia no Brasil.

As negociações que existiam entre os dois países, portanto, foram interrompidas por quatro anos. "O acordo já vinha se delineando desde antes da pandemia, mas sofreu atrasos devido à emergência sanitária e por questões políticas", diz a Fiocruz. "Com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a reaproximação de Brasil e China, o Memorando de Entendimento tomou novo impulso, mostrando que as relações dos dos dois países podem se aprofundar também na área de saúde", comemorou. De fato, a cooperação entre Brasil e China começou a ser impulsionada a partir da visita da delegação liderada pelo cientista George Fu Gao, então diretor do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças (CDC/China), em junho de 2017. Naquele momento, a então presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, assinou um entendimento. Hoje, ela é a ministra da Saúde.

Entre as doenças que serão estudadas, algumas atingem os dois países, como a Covid-19. Outras, mais o Brasil, como a febre amarela, mas que vem atraído o interesse chinês. "Com o aumento de obras chinesas de infraestrutura na África, alguns de seus trabalhadores têm contraído febre amarela - uma enfermidade para a qual a Fiocruz tem know-how, já que produz a vacina", explica a entidade brasileira. "Por outro lado, China e Índia produzem grande parte do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) usado no mundo. E o Brasil pode aprender com eles", completou.

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