
Feriado nacional no Brasil e em pelo menos 80 países, o 1º de maio tem ligação com a reivindicação da jornada de oito horas no fim do século 19 e massacres de trabalhadores nos Estados Unidos e na França. Mas, ao longo do tempo, a data passou a ser conhecida em lugares, como a França e o Brasil, como "dia do trabalho" e não do trabalhador. Em 1º de maio de 1886, cerca de 80 mil trabalhadores pararam a cidade de Chicago para reivindicar melhores condições de trabalho. Na década de 1880, operários aderiam em massa aos movimentos sindicais, influenciados especialmente pelo pensamento anarquista, e a cidade fervilhava com seus encontros e discussões.
Dias de festa, dias de luta Era um sábado e o clima em Chicago era de festa, segundo descreve o historiador James Green no livro "Death in the Haymarket". Anarquistas como August Spies conduziram marchas pacíficas naquele dia, em apoio à greve nacional que tinha como pauta central a redução da jornada de trabalho de 13 para oito horas.
A violência que marcou os protestos daquela primavera teve início dois dias depois, em 3 de maio: em um confronto entre grevistas e trabalhadores temporários contratados por uma fábrica para furar a greve, a polícia atirou contra a multidão deixando um morto e vários feridos.
E no Brasil?
No Brasil, o 1º de maio se tornou feriado nacional por decreto do presidente Artur Bernardes, em 1924, descrito como "comemoração dos mártires do trabalho". Manifestações de trabalhadores tinham começado a acontecer por aqui no fim do século 19 e cresceram no início do seguinte, com a chegada de imigrantes anarquistas, socialistas e comunistas da Europa.
A primeira paralisação geral da história do Brasil foi a Greve Geral de 1917, com participação estimada de 70 mil pessoas em São Paulo. Mesmo antes do decreto de Bernardes, um grande comício de 1º de maio tomou conta da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, em 1919.
Dia do trabalho ou dia do trabalhador? Foi nessa época que o "dia do trabalhador" virou "dia do trabalho", segundo historiadores. À BBC, Marcelo Cheche Galves, professor da Universidade Estadual do Maranhão, afirmou que Getúlio Vargas mudou o sentido da data. Em 1º de maio de 1943, Vargas sancionou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com previsões sobre duração da jornada, férias, segurança do trabalho, previdência social, férias e fixação do salário mínimo.