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Deltan, Bolsonaro e Moro têm destinos entrelaçados na ascensão e na queda.

Bolsonaro, Moro e Deltan na mesma direção.

Por: Profº Nicanor Fonte: uol
06/06/2023 às 21h36
Deltan, Bolsonaro e Moro têm destinos entrelaçados na ascensão e na queda.
reprodução

A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados chancelou, nesta terça (6), o indeferimento da candidatura de Deltan Dallagnol pelo Tribunal Superior Eleitoral. No dia 22, o TSE começa o julgamento que deve tornar Jair Bolsonaro inelegível. E corre no Paraná uma ação por caixa 2 com grandes chances de levar à perda de mandato do senador Sergio Moro.

É bastante didático que os líderes da Lava Jato, cujas decisões serviram como escada para a ascensão de Bolsonaro, agora estejam enfrentando um drama eleitoral no mesmo momento. Karma dirão alguns, retaliação falarão outros, Justiça atestará um terceiro grupo.

Deltan recorre ao STF, mas está inelegível por oito anos, reclamando do mesmo moralismo que foi combustível da operação que coordenou. Jair deve levar um gancho eleitoral por esse período de tempo por juntar embaixadores no Palácio do Alvorada a fim de atacar a democracia em um ato de campanha com dinheiro público. E Sergio pode seguir o mesmo caminho por recursos não contabilizados de sua candidatura.

A Lava Jato criminalizou a política. Perverteu o importante combate à corrupção, atropelando leis e regras e adotando um comportamento justiceiro. Pavimentou, dessa forma, o caminho para quem empunhava os discursos justiceiro e da antipolítica - mesmo tendo sido político por três décadas.

Dallagnol e Moro ajudaram a mandar Bolsonaro, um apoiador de milícias e metido em desvios de grana pública, para o Palácio do Planalto ao enviar seu principal concorrente ao xilindró. Mas não só. Usaram os mesmos métodos contra tantos outros políticos que despertaram a ira dos honestos e dos desonestos. Agora, Câmara e Senado não se empolgam em salvar os dois.

Pelo contrário: Cristiano Zanin, advogado de Lula na operação Lava Jato, deve ser aprovado sem maiores percalços pelo Senado. Considerando que a fama de Zanin veio de ser um contraponto a Moro, pode ser dizer que a lembrança das ilegalidades cometidas pelo então juiz federal é um dos maiores cabos eleitorais que o futuro ministro do STF poderia querer. O bolsonarismo não está morrendo. Pode parecer paradoxal, mas ele já existia muito antes de Jair - que teve o mérito de organizá-lo de dar-lhe um rosto - e continuará muito tempo depois dele, seja nas instituições, seja nas ruas.

Já o lavajatismo está em uma encruzilhada. Tendo sido útil a determinados grupos da extrema direita, ele e os seus líderes foram descartados já durante o mandato de Bolsonaro. A ponto de membros da força tarefa afirmarem que, durante o governo do PT, não havia a mesma tentativa de interferência no combate à corrupção. Ele segue com representatividade, mas não alegre, numerosa e orgulhosa como antes. O risco é ser absorvido de vez como linha auxiliar do bolsonarismo. Isso se o lavajatismo voltar a ser útil a ele, claro.

 

 

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