
Uma empresa do Reino Unido começou a oferecer um serviço de limpeza residencial com profissionais nuas ou seminuas. É a Naked Cleaning Company. Ao se cadastrar e assinar o serviço, você pode navegar no site em busca da profissional que mais lhe apetecer e agendar um horário para que essa pessoa limpe a sua casa vestindo lingeries, de topless ou totalmente pelada. A empresa não oferece serviços sexuais interativos, o que significa que não é possível tocar nas faxineiras, nem as receber com mais de uma pessoa dentro de casa. Segundo o site, as profissionais estão preparadas para lidar com a "animação" dos donos da residência, desde que eles "não invadam o espaço pessoal delas".
Certamente é uma proposta que vem estimular sentidos fetichistas, como o voyeurismo e o seu par complementar, o exibicionismo. Diria eu que, em termos de erotismo, nossa cultura é cada vez mais atravessada por esses componentes, haja vista a quantidade de material erótico disponível na internet.
Além disso, parece que estamos cada vez mais vaidosos, necessitando dos likes nas redes sociais, a fim de afirmar nossos atributos, sejam os corporais, intelectuais ou de estilo de vida. Tudo pode ser consumido, como produto que alimenta essa relação de consumo, até a vitimização ou o ódio.
Mas voltando à Naked Cleaning Company: a empresa explora outra relação, que é a do poder e da subserviência, reforçando hierarquias de gênero. Notem que não se oferecem profissionais masculinos, a fim de alegrar o dia de homens que gostam de homens ou de mulheres que gostam de homens. Tem uma brecha aí, minha gente, que precisa ser revista.
Ao oferecer apenas a fantasia sexual da "empregada doméstica", buscam preencher uma falta do que está felizmente mais escasso nas interações reais entre homens e mulheres, já que o assédio e a importunação sexual estão cada vez sendo mais combatidos e denunciados, por mulheres que aprenderam a dizer não e recusar esse lugar de servidão.
Será que não haveria consumidoras mulheres para os faxineiros masculinos? Fico imaginando o doméstico com o pênis balançando entre as pernas ao passar o aspirador. É uma visão inusitada, mas sim, alguém pode achar interessante. De qualquer forma, me surgiu aqui outra inquietação. Três horas de pênis balançante, para lá e para cá, seriam comparáveis, em termos de incômodo, às mesmas horas de mamas livres fazendo o mesmo serviço?
ambém, me preocupa o uso do salto alto durante o serviço, já que a logomarca da empresa é uma silhueta feminina com sapato de salto alto. Me parece penoso demais limpar vidraças ou passar pano no chão assim, já que pode gerar problemas na coluna e nos pés. Fica aqui a dica para considerações a serem discutidas pelo sindicato dos faxineiros sexuais, como o adicional para o salto alto, para compras de meias 7/8 que certamente desfiarão a cada uso, bem como um bom plano de saúde.