
Os registros de crimes raciais nos estados brasileiros aumentaram, mas ainda são pouco transparentes, instáveis e expõem a má produção das informações — o que pode impactar nas políticas públicas. Os dados são da 17ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que mapeou retificações em grande escala feitas por estados.
Chama a atenção a retificação em grande escala dos dados, segundo o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), responsável pelo anuário.
O Pará alterou os dados de injúria racial de 2021: de cerca de 3.000 registros para 305. A queda brusca impacta no total e na variação dos registros a nível nacional e regional.
Casos raciais registrados crescem no Brasil. Os dados gerais mostram um aumento de registros na Polícia Civil: os de racismo cresceram 67%, e os de injúria aumentaram 32,3% entre os anos de 2021 e 2022.
O Rio de Janeiro lidera em número de casos. Em um ano, o estado viu os registros de racismo pular de 168 para 322 (91,6%), enquanto os de injúria chegaram a 1.902 — antes, eram 1.372 (aumento de 38,6%). A soma é de 2.224 casos no último ano.
O Paraná também concentra alto índice. Houve aumento de 39,2% nos registros de injúria e 18,2% nos crimes de racismo, chegando à soma de 1.658 em 2022.
O relatório considera a alta nos casos como "aumento da demanda por acesso ao direito a não discriminação"