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RS reúne o maior número de facções do país

As grandes facções povoam o Estado do RS

Por: Profº Nicanor Fonte: noticias.uol
28/07/2023 às 16h30
RS reúne o maior número de facções do país
reprodução

O Rio Grande do Sul é o estado com maior número de organizações criminosas do país. Segundo o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), são ao menos 15 grupos disputando o poder em cidades gaúchas. Dados divulgados pelo 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram como o conflito intensifica a violência e aumenta o número de mortes.

Relação entre mortes e facções

O Rio Grande do Sul registrou 2.154 mortes violentas intencionais no ano passado. Em 2021, foram 2.073 mortes. Os números indicam um crescimento de 3,8%. A capital Porto Alegre registrou um aumento de 24,8% no número de mortes violentas intencionais — o terceiro maior aumento percentual do país, segundo dados do Anuário.

 

O aumento das mortes violentas intencionais está relacionado ao acirramento dos conflitos entre as organizações que disputam o poder no estado. A pesquisadora do FBSP e doutoranda em Sociologia da Universidade de São Paulo, Betina Barros, afirma que as mortes atingiram o ápice em 2017 com o conflito deflagrado das facções e, a partir de 2019, o cenário começa a se arrefecer.

Esse arrefecimento em 2019 ocorreu de uma forma precária, por meio de alianças firmadas pelos grupos, uma vez que não é interessante estar em guerra deflagrada constantemente. Contudo, o controle foi mais momentâneo do que se esperava. Em 2022, havia indícios de uma volta aos conflitos. Betina Barros, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

 

Há sinais de um recrudescimento entre os grupos que impacta no número de mortes, segundo Rodrigo Azevedo, coordenador do Observatório de Segurança Pública da Escola de Direito da PUC-RS. "A situação dos mercados ilegais é muito fragmentada no estado. Esses grupos se aliam e depois essas alianças são rompidas. A migração de um traficante de um grupo para outro leva a muitos acertos de contas."

Esses grupos estabelecem acordos entre si para controlar o número de mortes no estado, afirma Marcelli Cipriani, socióloga e doutoranda em sociologia pela UFRGS.

Em Porto Alegre, entre 2016 e 2018 houve um aumento no número de mortes; depois, uma queda, porque os grupos entraram em acordo. Os aumentos e as quedas da violência estão relacionadas com a gestão de conflitos feitos pelas facções -- dependendo do objetivo.Marcelli Cipriani, autora do livro "Os coletivos criminais de Porto Alegre - Entre a 'paz' na prisão e a guerra na rua"

 

Força Nacional foi chamada após morte de mulher na frente da filha. Em agosto de 2016, uma mulher foi morta na frente de uma escola no bairro Higienopólis, região nobre de Porto Alegre. Devido ao caso, o então secretário estadual de segurança, Wantuir Jacini, pediu exoneração, e o governador na época, José Ivo Sartori (MDB), montou um gabinete de crise e solicitou a presença da Força Nacional na cidade. As tropas só deixaram a capital gaúcha quase três anos depois.

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