
Pela segunda vez, os chilenos rejeitaram um esboço de uma nova Constituição. Em um plebiscito realizado neste domingo, 17, cerca de 55% votaram contra o novo texto e 44%, a favor.
O texto que acaba de ser recusado foi de responsabilidade da direita. Dos 50 membros do Conselho Constitucional, encarregado de elaborar o novo texto, 34 eram de dois partidos de direita, o Republicano e o Chile Seguro.
Alguns dos temas incluídos renderam polêmicas desnecessárias e dividiram o país. O projeto afirmava que “a lei protege a vida de quem está para nascer” e queria que os médicos pudessem alegar uma “objeção de consciência” para não fazer um aborto. Mas 54% dos chilenos apoiam o aborto legal.
Outra proposta era promover a expulsão dos imigrantes ilegais no menor tempo possível, o que também gerou resistência.
No ano passado, em outro plebiscito, os chilenos rejeitaram por 63% a 37% um projeto de Constituição feito por uma assembleia constituinte composta por uma maioria de esquerda e com muitos integrantes independentes, que não representavam os partidos.
Esse primeiro esboço da esquerda trazia ideias como um Estado plurinacional (como na Bolívia), acabar com o Senado (como na Venezuela) e permitir a reeleição para presidente (como no Brasil). Essas medidas fracassaram em todos os países que foram tentadas.
A ideia de que o país precisava de uma nova Constituição surgiu em 2019, quando o então presidente Sebastián Piñera lançou a proposta como uma medida para acalmar os protestos que paralisavam o país.
Embora as manifestações não tivessem um objetivo claro, a exemplo das Jornadas de Junho que ocorreram no Brasil em 2013, 78% dos chilenos concordaram com o presidente e passaram a defender uma nova Constituição.