
Focada no transporte de cargas, não é de interesse da Ferrovia Transnordestina Logística S.A. (FTL) assumir o transporte ferroviário de passageiros no trecho entre Fortaleza e Sobral, o que poderia ocorrer, entretanto, com infraestrutura e subsídio estatal.
A possibilidade foi aventada após o governo federal anunciar, no último dia 10, que vem fazendo estudos para retomar o transporte de passageiros entre cidades do País, mas em curtas distâncias. São seis trechos estudados, entre eles entre a Capital e a cidade da Região Norte.
Para o diretor-presidente da Transnordestina Logística S.A. (TLSA), Tufi Daher Filho, é preciso, de fato, desenvolver o transporte de passageiros no Brasil. Caso o projeto do Governo Federal se concretize, pondera, será preciso chegar a um “acordo operacional” para a coexistência harmônica da locomoção humana e de cargas.
“Quantos pares de trens serão destinados, em quais horários, para o trem de passageiros? Nem o trem de passageiros interfere no trem de carga, nem o trem de carga interfere no trem de passageiros. Isso existe no Brasil todo”, avalia Daher Filho, em entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste.
VÃO LIGAR CIDADES ENTRE CEARÁ E MARANHÃO
É de responsabilidade da TLSA o que é conhecido como Ferrovia Transnordestina, que vai interligar Eliseu Martins (PI) ao Porto do Pecém (CE). Já a FTL tem dois trechos: um operacional no transporte de cargas,entre Fortaleza (CE) e São Luís (MA), e outro que vai da capital cearense ao Crato (CE) e não é atualmente utilizada. Ambas as empresas pertencem à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Ao considerar a viabiliade da proposta, Tufi Daher Filho, que também é ex-presidente da CSN, afirma que, em tese, o projeto é possível. “Quantos pares de trens serão destinados, em quais horários, para o trem de passageiros? Nem o trem de passageiros interfere no trem de carga, nem o trem de carga interfere no trem de passageiros. Isso existe no Brasil todo”, avalia.
Apesar de a empresa não ter interesse em participar da concorrência para o transporte de passageiros, o diretor-presidente da TLSA pontua que “nada impede” que a ferrovia “possa, se o Governo entrar com a infraestrutura necessária, com subsídio necessário, ser compartilhada”.
Atualmente, a Ferrovia Transnordestina Logística S.A. administra 1,2 mil quilômetros de linha férrea, em trajeto que interliga o Porto do Mucuripe, em Fortaleza, passando por um entroncamento ferroviário que leva ao Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE) e tem como destino o Porto de Itaqui, em São Luís (MA).
Esses trechos ressaltados por Tufi Daher Filho incluem ferrovias no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, com passagens pelos portos de Natal (RN), Cabedelo (PB), Recife e Suape (PE) e Maceió (AL).
Ele ainda destaca duas cidades cortadas pela FTL: Sobral e Teresina. Em ambas, a malha ferroviária é compartilhada entre passageiros e carga, em compartilhamento com estudo logístico.