
O Brasil passou a ser monitorado pela ONU (Organização das Nações Unidas) devido à expansão de movimentos neonazistas no país. O informe, intitulado "Combatendo a Glorificação do Nazismo e Neonazismo", é elaborado anualmente para identificar onde esses grupos estão se fortalecendo, conforme informações do Portal UOL.
O monitoramento, realizado pela relatora Ashwini K.P., analisou formas contemporâneas de xenofobia e racismo. O objetivo é avaliar a extensão da expansão do neonazismo globalmente e apresentar um plano para que os governos possam impedir o fortalecimento desses grupos.
Cada país envolvido no estudo forneceu informações para que a relatora pudesse fazer a avaliação e produzir o documento oficial. Além do Brasil, mais de 20 países foram incluídos na lista.
No Brasil, o Conselho Nacional de Direitos Humanos forneceu dados sobre o tema, relatando um "aumento preocupante no discurso de ódio e nas manifestações neonazistas".
O relatório destaca que, em 2021, o Centro Nacional de Crimes Cibernéticos no Brasil recebeu 14.476 denúncias anônimas relacionadas ao neonazismo. A Polícia Federal também abriu 159 investigações para apurar casos com ligações neonazistas.
Além disso, foram relatados casos de crimes neonazistas em escolas, onde agressores utilizaram uniformes militares e suásticas, fizeram pichações nazistas em unidades educacionais e ameaçaram negros e imigrantes.
Crescimento do ultraconservadorismo
Outra preocupação apontada pela relatora da ONU foi o crescimento do "ultraconservadorismo no sistema educacional do Brasil", caracterizado por comportamentos de "intolerância e à glorificação do nazismo".
Desde 2017, foram registradas 49 mortes e 115 pessoas feridas por armas de fogo e armas brancas em incidentes relacionados a grupos neonazistas.
O documento será entregue ao Conselho de Direitos Humanos da ONU para ser debatido em uma reunião em julho, em Genebra.