Sexta, 13 de Março de 2026
23°C 33°C
União dos Palmares, AL
Publicidade

Itamaracá pede um recomeço, mas com planejamento

A Ilha de Itamaracá precisa de reorganizar para o turismo

Por: Profº Nicanor Fonte: FolhaPE
08/01/2026 às 22h21 Atualizada em 14/01/2026 às 19h50
Itamaracá pede um recomeço, mas com planejamento
reprodução

O novo edital lançado pelo Governo de Pernambuco para atrair estudos de viabilidade para a Ilha de Itamaracá acende uma esperança - e um alerta O território em questão abrange 1.200 hectares, quase 40% da ilha, e inclui áreas icônicas e abandonadas, como a antiga Barreto Campelo, o antigo manicômio e a Agrovila Penitenciária Agroindustrial São João, ainda em funcionamento, mas que será em breve desativada.

Trata-se, portanto, de uma rara oportunidade de requalificação territorial com peso estratégico no turismo regional.

Itamaracá já foi a joia da coroa no turismo de Pernambuco, símbolo de lazer e beleza natural. Mas perdeu espaço para Porto de Galinhas, que cresceu de forma explosiva.

O problema é que Porto extrapolou seus limites físicos e sociais: expansão descontrolada, degradação ambiental, precarização de serviços e aumento da violência formam hoje um quadro de saturação turística. 

 Ao mesmo tempo, destinos como Itamaracá foram esquecidos — sem investimentos, sem requalificação, sem política pública.

O edital dá o primeiro passo para reverter esse abandono. Mas a tarefa será árdua.

A Ilha está degradada em diversos aspectos: infraestrutura urbana precária, déficit de saneamento, ocupações desordenadas e ausência de conectividade eficiente com a Região Metropolitana.

 

Além disso, é preciso enfrentar o avanço do mar e respeitar áreas sensíveis, como a APA de Santa Cruz.

O sucesso da iniciativa dependerá de respeito ao Plano Diretor da ilha, que está defasado - sem revisão há décadas -, e ao Plano de Manejo da CPRH. Esses instrumentos não podem ser tratados como formalidades. São eles que darão o mínimo de coerência entre conservação ambiental e exploração turística sustentável. 

A proposta do edital em vincular os projetos a empreendimentos de baixa e média densidade é um acerto — resorts, condomínios, marinas e parques de visitação podem conviver com a vocação natural da ilha, desde que bem planejados.

É preciso aprender com os erros de outros destinos e não repetir modelos esgotados. O turismo do futuro não se sustenta mais no improviso, nem na especulação. Se for bem conduzido, o projeto pode reequilibrar o mapa turístico de Pernambuco, promover desenvolvimento regional e devolver a Itamaracá o papel que perdeu — o de destino de referência no litoral norte. Mas isso só será possível com um esforço coordenado entre Estado, município, investidores e, principalmente, a comunidade local.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Lenium - Criar site de notícias