
O Rio Grande do Norte consolidou uma posição única e estratégica na economia brasileira. O estado detém o controle absoluto da produção de sal marinho no país, respondendo por impressionantes 95% de todo o volume nacional. Essa hegemonia transforma o RN no verdadeiro coração da indústria salineira brasileira, superando sozinho a soma de todos os demais estados produtores.
O protagonismo potiguar não acontece por acaso. A região da Costa Branca, localizada no litoral oeste do estado, reúne condições naturais raras que a tornam praticamente imbatível na extração de sal marinho. O clima semiárido encontra o litoral em uma combinação geográfica única no Brasil, criando o cenário perfeito para a cristalização do sal.
Os números climáticos explicam a vantagem competitiva: a região registra temperaturas médias em torno de 28°C, chuvas concentradas em apenas três a quatro meses do ano e evaporação anual que ultrapassa 2.000 milímetros. Quase três vezes superior à precipitação, que gira em torno de 700 milímetros anuais. Ventos constantes e secos aceleram o processo de evaporação, enquanto a salinidade natural das águas estuarinas varia entre 3,5 e 5 graus, produzindo um sal com teor de pureza que alcança 99,88%.
As planícies flúvio-marinhas dos rios Apodi-Mossoró e Piranhas-Açu oferecem outro diferencial decisivo: solos de baixa permeabilidade e extensas áreas planas no nível do mar. Essas características naturais eliminam a necessidade de investimentos pesados em infraestrutura de drenagem e permitem a operação de salinas em escala industrial com custos competitivos.
Macau e Mossoró concentram mais de 60% de toda a produção nacional
A distribuição geográfica da produção salineira potiguar revela a força de dois municípios específicos. Macau e Mossoró, juntos, contribuem com mais de 60% de todo o sal marinho produzido no Brasil. Areia Branca, Grossos, Galinhos, Guamaré e Porto do Mangue completam o mapa produtivo da região.
A produção anual do Rio Grande do Norte oscila entre 5,8 e 6,5 milhões de toneladas de sal, dependendo das condições climáticas de cada safra. Apenas a maior empresa do setor, a Salinor, extrai 2,5 milhões de toneladas por ano, operando salinas em Macau e Mossoró e respondendo por mais de 40% de todo o sal marinho brasileiro.