
A Polícia Federal (PF) cumpriu, na manhã desta quarta‑feira (18), um mandado de busca e apreensão contra o chefe da Polícia Civil de Alagoas, o delegado Gustavo Xavier, em desdobramento de uma investigação que aponta sua participação na liderança de uma organização criminosa especializada em fraudar concursos públicos. A operação ocorre em meio a indícios de que o esquema teria beneficiado candidatos em concursos de diversas instituições, incluindo certames para carreiras policiais e bancárias. (coluna Andreza Matais, O Globo, adaptado)
A representação que embasou a ação foi autorizada pelo juiz Manuel Maia de Vasconcelos Neto, da 16ª Vara Federal em João Pessoa (PB), e teve seu teor obtido pela coluna de Andreza Matais. Segundo a PF, há fortes indícios de que Xavier ocupava posição de liderança dentro de um grupo que se dedicava a inserir, manipular e direcionar resultados em concursos públicos de órgãos como a Polícia Civil e Polícia Científica de Alagoas, além de certames do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e do Concurso Nacional Unificado (CNU).
De acordo com a investigação, o delegado teria passado a exercer um papel central no esquema após coagir um dos operadores do grupo, identificado como Thyago José de Andrade, a atuar sob suas ordens em fraudes em concursos. Dentro dessa estrutura, Xavier teria emitido ordens para outros integrantes e utilizado intermediários para articular o funcionamento da quadrilha.
Intermediários e beneficiários
A PF aponta que o delegado coordenava suas ações por meio de “interlocutores” que executavam as ordens em nome do grupo. Um dos principais intermediários identificados é o policial civil Eudson Oliveira de Matos, que também foi alvo de busca e apreensão nesta manhã. Eudson encontrava‑se preso na Central de Flagrantes da Polícia Civil de Alagoas e, durante as buscas, um telefone celular foi apreendido pelos agentes federais como objeto de análise das investigações.
As apurações ainda indicam que pessoas próximas a Xavier teriam sido beneficiadas pelos resultados fraudulentos de concursos: o irmão do delegado seria um dos favorecidos em ao menos duas seleções, de acordo com elementos levantados pela PF.
Esquema sofisticado
Para a Polícia Federal, os indícios coletados até o momento apontam para uma estrutura estável e reiterada de prática criminosa, adotando mecanismos de articulação e lavagem de dinheiro para ocultar valores pagos por candidatos beneficiados pelo esquema. A complexidade da rede, com operadores, intermediários e supostos beneficiários, é um dos fatores que motivou a PF a pedir a autorização judicial para as buscas desta quarta‑feira.
A investigação ainda está em andamento e os agentes federais analisam dados eletrônicos, movimentações financeiras e trocas de mensagens que possam comprovar a participação direta de Xavier e demais envolvidos nas fraudes.
Repercussão e respostas
A coluna de Andreza Matais tentou contato com Gustavo Xavier por meio da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas, que ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso. O espaço para posicionamento do delegado e de seus advogados segue aberto.
Até o momento, não há informações sobre a detenção do chefe da Polícia Civil, mas a presença de ordens judiciais para busca e apreensão mostra que a investigação avança em uma nova fase.
Contexto mais amplo
O cumprimento de mandados contra um chefe de polícia chama atenção pelo potencial de impacto institucional da operação. Fraudes em concursos públicos tornaram‑se foco de várias investigações no país nos últimos anos, com múltiplos casos de corrupção e conluio entre agentes públicos e operadores privados envolvidos em desvios de finalidade, ocultação de dados e manipulação de resultados de certames.
Especialistas em segurança pública e direito penal ouvidos por veículos de imprensa afirmam que operações como esta são complexas e demandam coleta de provas robustas, incluindo quebras de sigilo fiscal, bancário e telemático, bem como cooperação entre diferentes órgãos de investigação.