
Uma espécie de armadura para ovelhas chamou a atenção de produtores rurais e especialistas em fauna na Europa. Desenvolvido na Áustria, o equipamento funciona como uma cota de malha moderna: uma rede com pontas de plástico que envolve o animal e promete impedir que lobos consigam alcançar sua garganta durante um ataque.
A invenção é obra do austríaco Rudolf Schaubach, de 72 anos, ex-agricultor e ex-caçador. Depois de três anos de testes, ele registrou a tecnologia no Escritório Europeu de Patentes e passou a defendê-la como uma alternativa para reduzir os prejuízos causados pelos ataques aos rebanhos sem recorrer ao abate dos predadores.
Ao jornal austríaco Kronen Zeitung, resumiu a proposta em uma frase: buscava uma forma de fazer com que “os dois possam viver livres”, em referência às ovelhas e aos lobos.
A ideia, no entanto, saiu rapidamente do campo para os tribunais. O primeiro teste com animais acabou interrompido após denúncias de entidades de proteção animal, que acusaram o inventor de maus-tratos
O caso passou a ser investigado pelas autoridades austríacas e reacendeu um debate que cresce em diversos países europeus: como proteger os rebanhos diante do avanço da população de lobos sem comprometer o bem-estar dos animais nem a conservação da espécie.
A discussão ganhou força justamente em um momento de mudança nas políticas ambientais da União Europeia. Com o aumento dos ataques ao rebanho em vários países, governos vêm flexibilizando regras para o controle da espécie, enquanto produtores buscam novas formas de convivência com um predador que voltou a ocupar antigas áreas de ocorrência.
A estrutura mede cerca de 1,5 metro por 1,6 metro e pesa entre dois e três quilos, valor semelhante ao peso da lã produzida por uma ovelha adulta.
A rede utiliza pontas de plástico revestidas por mangueiras de borracha e permanece presa ao corpo por faixas elásticas. Segundo o inventor, a intenção não é ferir o lobo, mas tornar a mordida desconfortável.
Em entrevista à revista Der Spiegel, Schaubach explicou que a proteção foi projetada para defender justamente a região onde o predador costuma atacar. “O lobo sempre morde o pescoço. Quando ele encontrar as pontas, vai sentir dor, mas não ficará gravemente ferido”, afirmou.
Na avaliação dele, a experiência tende a mudar o comportamento do animal. “Ele vai se lembrar disso”, disse o inventor à publicação alemã, ao defender que o desconforto provocado pelas pontas pode ser suficiente para evitar novos ataques.