
A China se prepara para lançar sua missão lunar robótica mais ousada e potencialmente impactante, na primeira busca direta por água na superfície do satélite natural. A aventura da Chang'e-7 deve começar no fim da noite deste domingo (23), com uma janela de lançamento que se abre às 21h (de Brasília).
A missão será impulsionada ao espaço por um foguete Longa Marcha 5, partindo do Centro de Lançamento de Satélites de Wenchang, na ilha Hainan, e colocada diretamente em uma injeção translunar, com inserção orbital na Lua em cinco dias. Depois disso, o conjunto pode operar por meses em órbita antes da realização do pouso, que ainda não tem data exata para ocorrer.
A escalada de complexidade das missões chinesas impressiona. Chang'e-1 e 2 (2007 e 2010) foram apenas orbitadores. A Chang'e-3 (2013) realizou a primeira alunissagem robótica chinesa (tornando o país o terceiro a realizar a façanha, depois de Rússia e Estados Unidos) e contou com o rover Yutu.
A missão seguinte, Chang'e-4 (2019), realizaria um feito inédito, o primeiro pouso da história no hemisfério afastado da Lua, que não é visível diretamente a partir da Terra. A Chang'e-5 (2020) realizou um retorno automatizado de amostras, o primeiro desde a soviética Luna-24, em 1974, além da primeira acoplagem orbital lunar robótica -antes disso, só as missões tripuladas Apollo haviam feito algo similar.
Ocorre que ninguém sabe que em que forma está essa água, se em moléculas avulsas impregnadas no solo, se em grãos de gelo, se em blocos maiores se há mais no subsolo. Tampouco se sabe quão fácil seria explorar esses recursos. Isso porque nenhuma sonda foi à superfície e observou diretamente a presença da água -até agora.