
A pandemia do coronavírus impôs uma série de mudanças na rotina das famílias em todo o mundo. E apesar de crianças não serem um grupo de risco para quadros graves da doença, elas podem apresentar outras consequências, como, por exemplo, piora dos hábitos de vida.
Diversos países fecharam escolas e com isso é esperado um aumento de peso entre crianças e adolescentes. Pesquisas anteriores já demonstraram que crianças ganham mais peso nas férias escolares do que durante o ano letivo, e o acompanhamento contínuo dessas crianças ao longo dos anos mostra que o peso que elas ganham nas férias é mantido ao longo do novo ano letivo
Isso ocorre, pois em casa, de férias, as crianças acabam saindo da rotina, comendo mais guloseimas, piorando a qualidade da alimentação. Apesar de as crianças não estarem de férias, na atual pandemia, o necessário fechamento de escolas criou desafios em relação ao ambiente alimentar e prática de atividade física. Confinadas em casa, as crianças estão menos ativas e cada vez mais ficando em frente a tela. Muitas escolas estão tentando garantir o aprendizado com aulas online e, como áreas comuns de prédios estão fechadas, videogame e TV acabam sendo atividades frequentes nessa época de quarentena.
Já é bem conhecida a relação entre tempo de tela e obesidade. Esse hábito contribui de duas maneiras para o excesso de peso, seja pelo maior tempo sedentário como também pelo fato de as crianças se alimentarem em frente a tela sem prestar atenção no que comem, consumindo mais calorias. Além disso, as famílias têm procurado estocar alimentos não perecíveis nas prateleiras e estão comprando mais ultraprocessados e densos em calorias. Nesses tempos de isolamento chama a atenção que prateleiras de bolachas, salgadinhos, sucos de caixinha e macarrão instantâneo estão esvaziadas nos supermercados.