Sexta, 13 de Março de 2026
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Comemoramos a Independência de quem ou de quê?

Éramos dependentes de Portugal. Hoje somos dependentes de muitos países.

Por: Profº Nicanor Fonte: redação
07/09/2022 às 13h45 Atualizada em 07/09/2022 às 15h21
Comemoramos a Independência de quem ou de quê?
reprodução

Éramos dependentes de Portugal.

Hoje somos dependentes de muitos países.

Dia 07 de setembro de 2022 comemoramos 200 anos da separação do Brasil de Portugal. Milhões de pessoas vão às ruas, compram bandeiras, camisas, bonés, gastam o dinheiro que ganham com suor do trabalho, bebendo e gritando o nome de alguns líderes políticos, agitando bandeiras.

Para que serve tudo isso? Tem alguma finalidade cultural, histórica? Essa multidão de pessoas nas capitais, bebendo, comendo e gritando, acrescenta alguma coisa na história do país?

Acrescenta alguma coisa que possa ser incorporado nos livros e planejamento das escolas? Essas manifestações ajudam a diminuir a inflação, o preço do bujão de gás, o preço do quilo de feijão e da lata de óleo?

Nós somos dependentes das decisões tomadas pelos 03 poderes da República.

As decisões tomadas pelas Câmaras Municipais, pelas Assembleias Estaduais, pelo Congresso Nacional, mexem com o nosso dia a dia, com a nossa situação econômica e social.  Nem eles, os poderes, são independentes. Um presidente de poder ataca moral, a dignidade, do outro presidente, num total desrespeito ao povo brasileiro e fica por isso mesmo.

Nós brasileiros, dependemos da importância de produtos da China, de produtos da Rússia, de produtos da Ucrânia, de produtos dos EUA, da Índia, da Inglaterra.

Somos impotentes diante de doenças como Covid, dengue, como a gripe. Nos hospitais faltam médicos, faltam equipamentos para hemodiálise, faltam leitos, faltam equipamentos para ressonância, mas achamos que somos independentes.

Somos constantemente atacados por baratas, mosquitos, ratos, escorpiões, cobras. Vivemos constantemente sofrendo com a falta de água, com as quedas de energia elétrica, que ao retornar, queimam aparelhos eletrodomésticos.

Sofremos com o trânsito perigoso, com os veículos em alta velocidade, com os assaltos e assassinatos, com o crescimento das facções criminosas que controlam linhas de ônibus, internet, farmácias.

Somos reféns dos desvios de recursos públicos por parte de muitos políticos diariamente.

Somos reféns de uma cultura podre, de só votar em candidatos que oferecem dinheiro, fortalecendo cada vez mais a corrupção no país.

Então eu me pergunto: ESTAMOS COMEMORANDO O QUÊ?

 

Independência de quem, se somos dependentes de todos os países, não fabricamos nada, apenas importamos tudo. 

Éramos dependentes de Portugal. Hoje somos dependentes de muitos países.

Não há independência. Existe apenas o desejo da festa, da anarquia. Isso é cultural. Isso é fanatismo e fanatismo é uma doença que não tem cura.

 Texto de Nicanor Filho – professor, escritor, jornalista.

 

 

 

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