
Mais brasileiros estão testando positivo para a Covid-19 nas últimas semanas. Uma nova onda da doença, que veio junto de duas novas subvariantes da Ômicron, a BQ.1 e a XBB, já tem causado impacto na Europa, na China e nos Estados Unidos e, agora, começa a crescer no Brasil.
No sábado (5), a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro confirmou um caso de Covid-19 provocado pela Ômicron BQ.1 na cidade. Nesta segunda-feira (7) o Rio Grande do Sul também registrou um caso da subvariante em Porto Alegre.
O Estadão questionou especialistas sobre as dúvidas mais frequentes relacionadas a essa nova fase da doença.
As subvariantes são mutações dos coronavírus. A BQ.1, por exemplo, é "descendente" da BA.5, que era uma das prevalentes em todo o mundo, junto com a BA.4 — todas subvariantes da Ômicron.
"Quase não temos dados concretos ainda sobre as variantes, e o que temos são dados preliminares. O que conseguimos ver é que, aparentemente, essas variantes são mais resistentes aos tratamentos com anticorpos monoclonais (que são os tratamentos disponíveis hoje)", diz.
Menos protegidas, as pessoas tendem a sentir mais os sintomas quando infectadas por essas variantes. Por isso o aumento da procura por testes de Covid-19 e dos resultados positivos.
"As vacinas bivalentes da Pfizer têm a BA.1, a BA.4 e a BA.5 como alvo. Por isso, elas poderiam, em tese, ajudar na prevenção contra a BQ.1, mas não temos nenhuma movimentação até o momento, no Brasil, para a aplicação dessas vacinas", continu
Hoje os sintomas de Covid-19 são similares aos da gripe e do resfriado comum. O paciente infectado pode ter coriza, dor de garganta, tosse, dor de cabeça, dor no corpo, cansaço e febre.
Esses sintomas podem ser combinados ou aparecer sozinhos, a depender da gravidade do caso. Especialistas recomendam que as pessoas sintomáticas façam teste de Covid-19, para que possam tomar os cuidados corretos de isolamento e, se necessário, de tratamento.
Diagnosticado corretamente, o paciente tem maiores chances de tratar a doença, de forma a não evoluir para quadros clínicos graves. Além disso, ao aderir ao protocolo de uso de máscara, ele não põe outras pessoas em risco de contaminação.
Se possível, é recomendado fazer o teste laboratorial. Diferentemente dos autotestes de farmácia, com eles os resultados são notificados ao governo, o que colabora para que o Ministério da Saúde e os cientistas monitorem o avanço da doença no país e, assim, tomem as medidas necessárias.
Segundo o infectologista, professor e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia Alexandre Naime Barbosa, neste momento a recomendação é que a pessoa faça uma avaliação individual de risco e adote cuidados baseados na sua condição de saúde.
A orientação é que idosos acima de 75 anos, pessoas que passaram por transplante de órgão recente, indivíduos com doença de lúpus e imunossuprimidos, em geral, evitem aglomerações e utilizem máscara sempre que tiverem contato com outras pessoas.
Pessoas com condições de saúde normais e que não são idosas devem usar máscara apenas em ambientes fechados, com aglomeração e sem circulação de ar. Se infectadas, devem utilizar máscara sempre que saírem de casa e/ou tiverem contato com outras pessoas.