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Garimpeiros relatam tensão para deixar território Yanomami

Garimpeiros fogem das terras indígenas, no Amazonas

Por: Profº Nicanor Fonte: isto é.
15/02/2023 às 12h46
Garimpeiros relatam tensão para deixar território Yanomami
reprodução

No interior da Terra Indígena (TI) Yanomami, em Roraima, a dois dias de barco da cidade mais próxima, Juliana* diz estar com medo de seguir viagem. Ela pilota embarcações que transportam comida e pessoas para o garimpo e afirma que muitos querem sair dali.

O motivo é a operação em curso para a retirada de cerca de 20 mil garimpeiros ilegais da TI, realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Força Nacional de Segurança Pública.

Sem prazo para acabar, a operação de combate à extração ilegal de ouro no território – o qual, segundo a Constituição, é de uso exclusivo dos indígenas – tem autorização para apreender e até destruir equipamentos usados na atividade, como máquinas, tratores, barcos e aviões.

“Os agentes do Ibama estão transitando no rio Uraricoera. Estamos com medo”, diz Juliana. Ela afirma que há uma semana está parada no mesmo lugar, com receio.

O governo federal estendeu até o dia 6 de maio o prazo para a saída voluntária dos garimpeiros da TI Yanomami. Está autorizada a circulação de aeronaves e barcos privados para esse fim, que podem transportar apenas as pessoas – e não as cargas.

“A situação aqui não é boa”

“Ainda tem muita gente em todo lugar”, escreve Juliana, adicionando que muitas mulheres fazem parte do grupo. “A situação aqui não é boa. A alimentação está ficando pouca, combustível não há”, afirma.

Do meio da Floresta Amazônica, ela responde às perguntas da DW via um aplicativo de mensagens. Questionada sobre como consegue acesso à internet, ela diz que é via rádio ou satélite.

Não muito longe dali, os yanomami enfrentam uma grave crise humanitária que matou ao menos 570 crianças nos últimos quatro anos. Vítimas de desnutrição e de doenças como malária, os indígenas sofrem o impacto direto do garimpo e da contaminação da água por mercúrio.

“É de conhecimento público que tem muita gente grande envolvida no garimpo, com muito poder financeiro. São empresários, políticos locais, pessoas com influência no estado, empresas sediadas em São Paulo que compram ouro e exportam”, comenta Ivo Macuxi, advogado e membro do Conselho Indígena de Roraima (CIR), que acaba de completar 50 anos.

 

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