
A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, acusou neste sábado (18) a Rússia de cometer “crimes contra a humanidade” na Ucrânia, dizendo que as forças russas realizaram um “ataque generalizado e sistemático” contra a população civil. “Os Estados Unidos estabeleceram formalmente que a Rússia cometeu crimes contra a humanidade na Ucrânia”, disse Harris, dirigindo-se aos líderes mundiais presentes na Conferência de Segurança em Munique, sul da Alemanha.
Esta é a primeira vez que os Estados Unidos designaram formalmente a Rússia como um país que cometeu crimes de guerra e crimes contra a humanidade na Ucrânia desde a invasão russa. “Examinamos as provas, conhecemos as normas legais e não há dúvida de que se trata de crimes contra a humanidade”, ressaltou. Harris citou casos de execuções sumárias, tortura e estupro pelas forças russas na Ucrânia, além “da transferência de centenas de milhares de civis ucranianos” para a Rússia. “Afirmo a todos os que perpetraram esses crimes e a seus superiores ou cúmplices: vocês responderão”, acrescentou.
Desde o início da invasão, os Estados Unidos documentaram ou catalogaram mais de 30.600 casos de crimes de guerra supostamente cometidos por forças russas na Ucrânia, segundo o Departamento de Estado dos EUA. “Não pode haver impunidade para esses crimes”, enfatizou o chefe da diplomacia dos EUA, Antony Blinken, em um comunicado separado.
Já seu homólogo ucraniano, Dmytro Kuleba, agradeceu o posicionamento do Estado americano em uma coletiva de imprensa fora da agenda do evento. No entanto, o diplomata reconheceu a dificuldade de coletar provas suficientes para levar “indivíduos específicos” que cometeram “atrocidades” à Justiça. A conferência de três dias conta com a presença de dezenas de autoridades internacionais, além de Harris e Blinken, como o presidente francês Emmanuel Macron, o chefe do governo alemão, Olaf Scholz, ou o chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi.