
Chovia forte há meses em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, quando uma tromba-d'água atingiu a cidade e matou mais de 400 pessoas em 18 de março de 1967. Nas primeiras horas, o aposentado Rodoaldo Graciano Fachini, hoje com 80 anos, não imaginou que o barulho era de um desmoronamento. Estava em casa e quando ouvi o barulho achei que era trovão. Depois veio um volume muito alto de vozes. Quando saí, vi o o morro descendo."
Caraguatatuba fica a 20 km de São Sebastião, que registrou no último domingo (19) mais de 600 mm de chuva —o que foi considerado um "evento climático extremo". É o volume de chuvas recorde anotado em um só dia no Brasil. Até o fim da noite de quinta-feira (23), a cidade somava 49 mortos.
"O que aconteceu na Vila Sahy [área mais atingida em São Sebastião] aconteceu em Caraguá inteira", diz Fachini. De acordo com dados da época, somente no dia 18, quando houve a tromba-d'água, o município acumulou 420 mm de chuva. Segundo a meteorologista Josélia Pegorim, tromba-d'água é como um funil de água caindo em uma mesma área. É um fenômeno relacionado a nuvens do tipo cumuliforme, que atinge uma região mais específica.
Apesar de as autoridades confirmarem "ao menos 437 mortes" na tragédia de Caraguatatuba, moradores afirmam que o número passou de 500. Calcula-se extraoficialmente que desapareceram cerca de 4 mil pessoas. Também desapareceram cerca de 400 casas sob a lama e as árvores que foram arrastadas pelo deslizamento da serra." Prefeitura de Caraguatatuba.