
Pouco antes do meio-dia desta sexta-feira (31), houve uma espécie de troca de turno no Clube Militar do Rio. Homens mais jovens de bermuda e raquete de tênis nas mãos deixavam o lugar, enquanto entravam idosos de óculos escuros e roupa social. Alguns desfilaram com calças Pierre Cardin, sapato de couro de cobra e blazer preto (apesar do calor que fazia no Rio). "Todos esses que você vê chegando de terno estão indo pro almoço", disse um dos funcionários do clube. Trata-se do almoço em comemoração ao golpe de 64, que instaurou uma ditadura militar no Brasil.
O Clube Militar organizou o evento "com a finalidade de comemorar o 59º aniversário do movimento democrático de 1964", ignorando a orientação do Ministério da Defesa de não celebrar ou fazer menção à data. No início de março, o ministro José Múcio Monteiro avisou aos comandantes das Forças Armadas que não divulgaria ordem do dia ou nota oficial sobre a ditadura no aniversário do golpe — diferentemente do que aconteceu nos quatro anos anteriores, durante o governo Bolsonaro. O preço da entrada, já incluindo comes e bebes, foi de R$ 90 para sócios e convidados.