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Bandidos colocam câmeras para vigiar movimentação

A PM descobriu câmeras no alto das casas

Por: Profº Nicanor Fonte: uol
07/01/2025 às 10h31 Atualizada em 07/01/2025 às 21h14
Bandidos colocam câmeras para vigiar movimentação
reprodução

A disputa do tráfico de drogas por territórios em Jequié (a 366 quilômetros de Salvador) contava até com sistema de monitoramento por câmeras das ruas, descoberto pela polícia após uma sequência de mortes no final de semana passado.

O sistema clandestino de câmeras foi achado neste domingo (5) pela Polícia Civil. Ele vigiava localidades do bairro Joaquim Romão, uma área comandada pelo CV.

Durante nossas incursões, identificamos imóveis com um circuito interno, mas que não estavam vinculados a nenhum desse imóveis, com indícios claros que estavam monitorando os fluxos das ruas.

Roberto Júnior, delegado e diretor regional de Sudoeste/Sul da Polícia Civil da Bahia.

A polícia encontrou ao todo quatro câmeras, que estavam instaladas em quatro imóveis diferentes. Elas estavam direcionadas para o lado externo dessas casas, o que chamou a atenção dos policiais.

Os equipamentos foram levados para perícia para tentar recuperar as imagens feitas por eles. "Também esperamos saber a que servidores estavam vinculadas e ter indícios de quem as instalou", afirma.

Mortes em série

A luta por espaço opõe as duas maiores facções do país, PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), em uma guerra que levou o município de 168 mil habitantes ao topo de assassinatos do país em 2022, e a ser a campeã em letalidade policial em 2023. "Isso [letalidade policial] significa que há maior enfrentamento à polícia, quase sempre com a PM", diz o delegado.

Em menos de 48 horas, entre a noite de sexta-feira (3) e madrugada do domingo, oito pessoas foram mortas no município. Dessas, sete a polícia afirma serem vítimas dessa guerra das facções.

Começou com um membro assassinado de uma delas, aí o rival foi lá e matou mais duas pessoas; depois para vingar, esse outro matou outras duas. Foi lá e cá. Dois desses casos já estão totalmente elucidados, e quatro pessoas foram identificadas.

Na cidade, as facções são chamadas por "tudo 2" e "tudo 3", codinomes criados pelos membros em referência a cada um dos grupos —e que tem a ver com o número de letras da sigla. Nas paredes, é comum ver pichações com td2 ou td3.

Por conta das mortes em série, no domingo autoridades baianas enviaram reforços no domingo, que ocuparam as ruas da cidade. Até a tarde desta segunda-feira, as mortes cessaram.

As ações também chegaram ao presídio de Jequié, onde estão muitas lideranças dos dois grupos. A suspeita é que eles tenham comunicação e ordenem crimes de dentro do local, que passou por um pente-fino.

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