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Escravizado tatuado com iniciais dos patrões é resgatado em Minas.

Polícia resgata trabalhadores escravos em MG

Por: Profº Nicanor Fonte: uol
26/04/2025 às 14h51 Atualizada em 01/06/2025 às 14h45
Escravizado tatuado com iniciais dos patrões é resgatado em Minas.
reprodução

Dois trabalhadores domésticos foram resgatados de condições análogas às de escravo, em Planura (MG), na região do Triângulo Mineiro, após terem sido aliciados através do Facebook e do Instagram. O caso envolve tortura, abusos sexuais e violência. Uma das vítimas teve o corpo tatuado com as iniciais "A.J", que seriam de dois dos três patrões, como forma demonstrar que se tratava de uma propriedade.

A operação, realizada entre 8 e 15 de abril, foi conduzida por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, procuradores do Ministério Público do Trabalho e agentes da Polícia Federal. As vítimas foram retiradas da cidade e estão recebendo assistência das clínicas de enfrentamento ao trabalho escravo da Unipac (Centro Universitário Presidente Antonio Carlos) e da UFU (Universidade Federal de Uberlândia).

Os empregadores usaram as redes sociais para estabelecer contato inicial com pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica e afetiva, oferecendo promessas falsas de trabalho e acolhimento. Aproveitavam-se da confiança estabelecida em ambientes virtuais em comunidades LGBT+.

"A operação alcançou duas vítimas submetidas a um processo de coisificação e dominação extremamente hediondo, em que a violência da submissão ao trabalho escravo e ao tráfico de pessoas foi agravada por relatos de abusos físicos, sexuais e psicológicos sistemáticos, impondo a elas um ambiente de exploração e controle absoluto", afirmou ao UOL o auditor fiscal do trabalho Humberto Camasmie, coordenador da operação.

As investigações revelaram que o empregado doméstico, um homem homossexual, foi explorado por quase nove anos e era vítima de múltiplas violações: não recebia salário, não tinha registro em carteira, trabalhava em jornadas exaustivas sem férias ou descanso e vivia sob constante vigilância e ameaças. Os empregadores gravaram abusos sexuais, e os vídeos eram usados como instrumento de chantagem e controle emocional.

Em uma das gravações, ele aparece nu, com grampos presos ao corpo, enquanto os patrões assistem e tocam música ao fundo. Outro vídeo mostra uma tentativa de enforcamento. Também foi documentado um episódio em que foi obrigado a comer as próprias fezes após ter seu ânus mutilado e costurado de forma improvisada. As marcas físicas dessas violências foram periciadas e fotografadas.

"A tatuagem também representa um perverso indicador da submissão à escravidão a que ele estava submetido, pois funcionava como sinal de posse, de controle sobre o corpo da vítima. A imposição da tatuagem, feita com o intuito simbólico de marcar a vítima como subordinada, reforça a condição de completa sujeição aos empregadores", afirma o relatório de fiscalização. Depois, por ordem dos empregadores, o trabalhador cobriu a tatuagem com outro desenho,

Também foi resgatada uma mulher trans de nacionalidade uruguaia, igualmente aliciada por meio das redes sociais. Em depoimento, relatou que, em julho de 2024, aceitou proposta de trabalho com salário de R$ 700 mensais. No entanto, do valor eram descontadas despesas de alimentação, moradia, internet e luz, restando-lhe cerca de R$ 100… -

Empregadores foram presos pela Polícia Federal

A Polícia Federal realizou a prisão em flagrante dos três homens identificados como empregadores, cujos nomes não serão aqui revelados para impedir a identificação das vítimas dada a situação de extrema violência a que foram submetidas. A reportagem tentou contato com as defesas dos três, mas não teve sucesso.

 

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