
O Jornal da Record teve acesso a imagens que mostram um esquema bilionário de lavagem de dinheiro do crime organizado. A investigação aponta um possível envolvimento da facção criminosa PCC, em contratos com prefeituras da região metropolitana de São Paulo.
Os policiais usam um pé de cabra e uma ferramenta de corte para abrir um escritório secreto, que pertence a um suspeito ligado ao PCC.
Lá dentro, encontraram computadores e pendrives que revelam um engenhoso esquema de lavagem de dinheiro. Documentos, vídeos e áudios, obtidos pelo Jornal da Record, mostram detalhes da operação Falso Mercúrio da Polícia Civil, ainda em curso.
Uma rede suspeita que ostenta barcos e carros importados avaliados em milhões de reais, e que é investigada por envolvimento com o crime organizado. Os bens bloqueados pela Justiça chegam a R$ 6 bilhões.
No esquema, empresas de fachada são usadas para lavar o dinheiro do tráfico de drogas e de jogos de azar. No centro da investigação estão Fábio Crisóstomo, o Fabinho, apontado como coletor do dinheiro das atividades ilegais, e Alessandro Momi Braga, o Morango.
A investigação aponta também um possível envolvimento da facção criminosa em contratos com 7 prefeituras da Grande São Paulo. Os valores são de quase R$ 7 milhões.
Há ainda nomeação de parentes de líderes e integrantes da organização para cargos públicos. Yasmin Cavalcante de Moraes foi nomeada assessora administrativa da Secretaria de Finanças de Osasco. Ela é filha de Alexandre Ferreira de Moraes, conhecido como Rita, e apontado pelos investigadores como o principal chefe do PCC na região.
Em trocas de mensagens interceptadas pela polícia, suspeitos de fazer parte do esquema discutem maneiras de burlar fiscalizações. Em nota, a Prefeitura de Osasco disse que a servidora Yasmim de Moraes tem cumprido as atribuições e que até o momento não foi notificada sobre qualquer ato ilícito.
A defesa dela e de Alexandre Ferreira de Moraes afirma que não teve acesso integral aos autos do processo. Ressalta que Yasmin não é investigada e que associar o nome dela à atividades ilícitas seria uma inverdade.
A defesa de Alessandro Momi Braga reforçou que o processo está em segredo de Justiça e a de Fabio Henrique Crisostimo declarou que ele jamais fez parte de qualquer organização criminosa.