
Aos 8 meses de idade, ela já vencia todos os torneios em que entrava. Silvestre Coelho Filho, seu criador original, conta que, logo após o nascimento, já identificava na Viatina-19 um animal diferenciado pelo biotipo e pela beleza racial. O nome completo é Viatina-19 FIV Mara Móveis, e o sobrenome corporativo não surgiu por acaso: desde cedo, o animal indicava que se tornaria um ativo de alto valor, e não apenas gado.
Em junho de 2023, compradores arremataram a vaca por R$ 21 milhões em Arandu, São Paulo, estabelecendo o recorde de vaca mais cara já vendida em leilão no mundo. Para dimensionar esse valor, o montante em dólares permitiria a compra de uma mansão com vista para o Central Park, em Nova York.
Mas o dado mais relevante não está no preço. Ele revela a transformação em curso na pecuária de elite brasileira.
Genética de milhões
Viatina-19 vai além de uma vaca de aparência marcante. Na prática, ela funciona como um banco genético vivo, e seus proprietários conduzem o negócio com essa lógica. Eles lucram ao comercializar essa genética por meio da venda de prenhezes (embriões fertilizados implantados em receptoras) e de aspirações, que consistem na coleta direta de óvulos.
Os números mostram a dimensão desse mercado. Em 2023, a genética de Viatina-19 gerou cerca de R$ 11,5 milhões em faturamento. Compradores chegam a pagar mais de R$ 1 milhão por uma filha do animal. Em maio daquele ano, um leilão beneficente vendeu uma prenhez por R$ 3 milhões e destinou toda a arrecadação às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
A vaca reúne características como adaptabilidade, longevidade reprodutiva e eficiência alimentar, o que a torna uma fonte valiosa para o melhoramento da raça Nelore. Por isso, o mercado mantém forte disposição para investir nesse tipo de genética.