A ansiedade e a depressão, agravadas pela pandemia e crise socioeconômica, diminuem o desempenho e impactam pessoas e empresas. Segundo uma publicação da revista científica Lancet de 2020, o custo anual global com a falta de cuidados com a saúde mental é de 1 trilhão de dólares. Historicamente, associou-se saúde emocional à doença mental, tornando-a um tabu, o que ainda faz com que empresas também evitem o tema por medo de serem culpabilizadas pelo adoecimento de trabalhadores e/ou receber mais atestados de afastamento. Entretanto, os impactos econômicos para uma empresa que não cuida da saúde emocional de seus colaboradores pode ser enorme, indo desde a falta de produtividade e criatividade, e impactando, também, no lucro final dos negócios.
Segundo Fátima Macedo, CEO da Mental Clean, consultoria especializada em saúde mental no ambiente de trabalho, esse posicionamento é ingênuo. "Quando um trabalhador não está bem emocionalmente e segue trabalhando sem receber o cuidado adequado, isso é presenteísmo, o que significa trabalhar sem estar em condições físicas e mentais para tal. Atualmente, estudos demonstram que o presenteísmo traz muito mais prejuízo para as empresas do que o absenteísmo [padrão habitual de ausências no processo de trabalho, dever ou obrigação, seja por falta ou atraso, falta de motivação ou devido a algum motivo interveniente]", explica.
Um trabalhador adoecido tem a atenção comprometida, cometendo mais erros, e sua relação com colegas e chefia pode ser abalada. Um estudo da pesquisadora de saúde Sara Evans-Lacko, realizado pela London School of Economics and Political Science, apontou que a depressão custa às empresas brasileiras mais de 300 bilhões de reais em perda de produtividade. "As empresas precisam colocar na 'ponta do lápis'. Até chegar no diagnóstico correto de um adoecimento emocional é muito comum que a pessoa já tenha passado por diversos médicos, feito muitos exames e isso tudo é custo para a empresa, pois aumenta a taxa de sinistralidade. Promover saúde gera economia para a empresa", pontua Fátima Macedo.